“O conteúdo é o REI”, disse Bill Gates. Quantas vezes você já ouviu esta frase? Se você nunca ouviu, provavelmente não trabalha com Internet, nem com conteúdo.

Escuto isso desde que comecei a trabalhar na área, mas, por mais que seja conhecida por tanta gente, em poucos projetos vi de fato o conteúdo exercer esse papel prioritário. Com o tempo, a preocupação em criar um conteúdo de qualidade deu lugar à busca excessiva por cliques e pageviews.

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Com o conteúdo perdendo o seu reinado, logo começaram a falar que, se ele é o rei, o engajamento (ou contexto) é a rainha. Ótimo, se não fosse o fato de que, na prática, isso nem sempre acontece. Se acontecesse, com certeza teríamos muitos projetos incríveis por aí, com conteúdos de qualidade, dentro de um contexto e com mais engajamento.

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Não vale a pena nos aprofundarmos agora no que é um bom conteúdo, mas rapidamente falando, na minha humilde opinião, bom conteúdo é aquele que é criado pensado em quem vai ler. O que esta pessoa procura? O que vai satisfazê-la? Como posso entregar o que ela precisa? Essas são algumas das perguntas que você deve se fazer antes de criá-lo e de se preocupar com o quanto ele pode render de acesso, cliques e pageviews.

Sim, isso é importante, com certeza, muito importante e você deve se preocupar com isso também, mas sabendo que um bom desempenho é consequência, um resultado natural de se ter um conteúdo relevante.

Entendo que se todos fazem conteúdo pensando nos cliques, publicidade vendida e pageviews, fica difícil ter sucesso tentando fazer diferente. A concorrência na atual “guerra do SEO e das hashtags” é desleal, pois os conteúdos produzidos para máquinas continuam sendo criados e os produzidos para pessoas, ignorados e esquecidos.

Que fique claro que amo publicidade e marketing, amo cliques e métricas, mas também amo bom conteúdo e ler intensamente. Não é difícil ver por aí conteúdos que são nitidamente feitos para gerar acesso. Nada é de graça, todos tem um objetivo ao gerar um conteúdo, eu mesmo tenho o meu ao escrever este post, mas realmente acredito que, se você está lendo até aqui, é por acreditar que terá algo relevante a te acrescentar.

Recentemente escrevi um post sobre a economia digital. Falei sobre como as empresas precisam se reestruturar para sobreviver e ter sucesso em uma nova fase. A transformação ou economia digital que tanto se fala hoje, tem uma razão: a sociedade mudou, espera consumir de outra maneira e tem obrigado as empresas a se transformarem rapidamente para sobreviver a toda esta mudança. Além disso, estas mesmas pessoas que consomem, são as mesmas que trabalham nessas empresas. Com isso, elas esperam no seu dia a dia de trabalho, soluções, facilidades e liberdade parecidas com o que hoje conseguem ter em suas vidas pessoais.

Ao ler hoje uma matéria do Meio & Mensagem, me veio um estalo, daqueles do tipo: “#PQPAJHGAJHKA! É disso que eu estou falando! Era óbvio que isso iria acontecer, por isso investi meu tempo, minha carreira, meu dinheiro…”. Consegui ver hoje duas coisas pela qual de certa forma luto para que seja melhor, unidas e quase que dependentes:

Transformação organizacional nas empresas forçada pela necessidade de se entregar um conteúdo melhor. Bom, a JUST trabalha com search, gestão da informação e gestão de conteúdo. Atendemos empresas que precisam levar conteúdo e informação para seu público, seja ele externo ou interno, então não seria por menos que eu me impactaria ao ver o Miles Young, CEO golbal da Ogilvy, uma das maiores agências de publicidade do mundo e que já foi cliente da Just, dizer algo mais ou menos assim:

“Antes, a palavra agência significava que éramos agentes dos veículos. Agora, as agências adotarão um ponto de vista diferente sobre a comunicação e serão como os publishers. As agências vão operar de forma parecida a de uma redação e os publicitários começarão a atuar como editores. A estrutura de um veículo de comunicação gira ao redor da generalidade de conteúdo e na escolha mais adequada. No final das contas, as agências vão editar conteúdos e entregá-los”

As estruturas tradicionais das agências são verticais, já que elas se acostumaram historicamente com a divisão em departamentos. Daqui para frente, afirma Young, o trabalho será baseado em fluxos de trabalhos, com times diferentes mais próximos, trabalhando juntos em projetos do começo ao fim. As agências terão estruturas mais abertas e fluidas, sem as hierarquias antiquadas sob as quais elas estão organizadas agora. E novos perfis serão adicionados, como profissionais de dados e conteúdo. “Estamos contratando jornalistas, porque o redator não deve saber apenas criar formatos de 30 segundos. É preciso ter um conhecimento sobre formatos mais longos, formatos editorais, white papers”, analisa. “As redações têm pessoas que fazem jornalismo com profundidade. Agora, nós também precisaremos começar a fazer isso”

“Não podemos pensar mais em termos de campanhas. Nosso centro é uma ideia. E as ideias se tornam ainda mais importante no mundo digital, porque elas dão sentido às coisas. Conteúdo não é mais uma especialidade, mas uma generalidade no trabalho que as agências fazem. Ele estará em tudo”

Será que só eu estou vendo o quão incrível é ler isso, vindo de quem veio? A publicidade é uma das coisas que mais movimenta o mercado. Ela dita o que compramos, tendencia e influencia nossas decisões.

Se parar para pensar no como as empresas que estão tendo maior sucesso hoje transformaram sua forma de vender, prospectar e captar novos clientes, veremos que talvez as agências de publicidade acordaram, perderam espaço para blogs e para iniciativas feitas pelas próprias marcas. A produção de um bom conteúdo passou a ser totalmente relevante para o seu sucesso de vendas e quem faz isso hoje não são as agências de publicidade.

Esta transformação está acontecendo, as agências e as empresas estão se reorganizando, as hierarquias e organizações com estruturas piramidais irão, aos poucos, se transformar em estruturas orgânicas mais próximas e talvez na já falada holocracia. Isso reforça a tese do que escrevi recentemente de que as empresas precisam se transformar, precisam de agilidade, precisam se apoiar em tecnologias que às tornem leves, para suportar este novo momento digital.

O conteúdo é o rei e a maior prova disso é que até as agências de publicidade estão começando a enxergar isso. Para quem trabalha com conteúdo, seja produzindo-o ou desenvolvendo plataformas de gestão de conteúdo como nós, é com certeza uma boa notícia, afinal é sinal de que teremos muito trabalho pela frente e cada vez mais soluções inteligentes para lidar com conteúdo, cruzar conteúdos e oferecer conteúdo sob demanda. Será indispensável o alicerce para que este novo momento aconteça.

Queremos ler o que queremos ler, queremos consumir o que queremos consumir. Lendo assim parece até que errei o texto, mas na verdade o que fica de mensagem é:

Os tempos mudaram. Queremos pensar, queremos buscar o que consumir e não queremos mais ser impactados de forma intrusiva, suportando anúncios que nos empurram serviços e produtos “guela abaixo” sem sequer se preocupar se temos interesse ou não. E isso vale tanto para o seu público interno como seu público externo.

O conteúdo é e sempre foi o REI, porém, em algum momento desta era do marketing digital, ele se perdeu… E que bom que ele resistiu bravamente, soube esperar seu momento e voltou a dar as caras firme e forte!


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Link para a matéria que me inspirou:
http://www.meioemensagem.com.br/home/comunicacao/noticias/2015/04/06/Ag-ncias-v-o-virar-publishers.html